Será o Florestamento a solução para o Aquecimento Global?

Combater as alterações climáticas através da plantação de árvores tem gerado alguma polémica e é uma ideia frequentemente controversa no meio científico. Muitos acreditam que é possível reduzir o aquecimento global pelo florestamento ou reflorestamento de terras, no entanto, um estudo recente em supercomputador mostra que esta medida poderá ser contraproducente.

Créditos imagem: U.S. Forest Service

Foi recentemente divulgado um estudo efetuado no supercomputador Piz Daint do Swiss National Supercomputing Centre (CSCS), que revelou que o florestamento de terras poderá não ter o efeito esperado, segundo noticiou o próprio CSCS. O projeto piloto sobre como a terra e o clima se influenciam mutuamente, conta com uma equipa internacional de cientistas, que põe em causa os benefícios desta medida através das últimas simulações efetuadas pelo cientista sénior Edouard L. Davin, do Institute for Atmosphere and Climate (IAC) da ETH Zurich.

Utilizando pela primeira vez uma abordagem multi-modelo, as simulações, previamente definidas como idealised experiments, demonstraram que o reflorestamento poderá não ser a solução para o aquecimento global da Terra podendo até levar a um aquecimento no inverno em algumas regiões do norte.

Esta nova abordagem engloba um conjunto de nove modelos climáticos regionais diferentes, dando origem a várias simulações com diferentes combinações de modelos terrestres e atmosféricos e permite comparar as respectivas influências dos processos atmosféricos e terrestres. O estudo revelou que com o máximo de florestamento possível, as simulações dos nove modelos apresentavam temperaturas no norte da Europa em média + 0,2° a + 1° Celsius mais quentes no inverno e na primavera, do que numa paisagem de pastagem. Segundo os investigadores, é o resultado direto da redução da reflexão do sol (albedo) devido ao florestamento. No entanto, para o verão e o outono, os modelos subjacentes fornecem uma imagem muito heterogênea, variando de arrefecimento em grande escala de até -2° Celsius a um aquecimento de + 2° Celsius após o florestamento. A equipa pensa que tal se deva ao facto dos modelos apresentarem grandes diferenças na resposta da evapotranspiração ao florestamento.

As incertezas nas simulações dos meses de verão e outono indicam que é necessário continuar a aprimorar os modelos utilizados, no entanto, e apesar das condições idealizadas, a abordagem de modelos múltiplos poderia fornecer informações mais adequadas e confiáveis para o planeamento do uso da terra do que os modelos individuais. “Outro aspeto essencial a ser considerado em pesquisas futuras é o tipo de árvore utilizada para o florestamento”, diz Davin. “Os silvicultores tendem a favorecer as árvores coníferas por razões econômicas. Mas em muitas regiões, as árvores de folha larga poderiam ser a melhor opção para um clima mais quente e permitir um efeito de arrefecimento maior”.

Crédito imagem: Rosemary Eisenberg

Seria de esperar que a plantação em massa de árvores pudesse ajudar o planeta a reduzir a carga de dióxido de carbono através da fotossíntese, e desta forma remover o gás da atmosfera por um determinado período de tempo. Porém, quando as árvores morrem, por exemplo, ou se são utilizadas como lenha, o gás do efeito de estufa retorna à atmosfera. Além disso, as alterações biogeofísicas decorrentes da arborização também podem ter consequências que colocam em causa os possíveis benefícios desta medida.

A alteração do uso da terra afeta, entre outras coisas, o albedo da superfície terrestre, ou seja, a quantidade de radiação solar que é refletida de volta para a atmosfera. Por exemplo, uma população de árvores cobertas de neve em altitudes mais altas reflete muito menos radiação solar do que uma paisagem sem árvores com uma cobertura de neve fechada, resultando num ambiente mais quente. Processos semelhantes também podem ocorrer no ciclo da água entre a superfície da Terra e a atmosfera quando a mudança do uso da terra tem impacto na transpiração da planta e na evaporação da água (evapotranspiração), assim como as mudanças na rugosidade da superfície da Terra também podem influenciar o clima – quanto mais lisa é a superfície, menos turbulência é gerada na baixa atmosfera.

“Até há muito pouco tempo, era difícil quantificar a extensão desses efeitos biogeofísicos. No entanto, existem evidências crescentes de que as mudanças no uso da terra estão a levar a mudanças climáticas locais e regionais”, escreve a equipe de Davin na sua publicação, publicada na revista Earth System Dynamics. Os investigadores defendem que o impacto da mudança do uso da terra não deve ser levado em consideração apenas a nível global, como é o caso atualmente, mas também a nível regional.

 

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